“E Deus disse: ‘Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa’. Assim já não são duas pessoas, mas uma só” (Bíblia, Mateus, 19, 5-6). Pode-se traduzir “uma só pessoa” para “uma só carne”, como popularmente se fala. Considero importante refletir sobre a união conjugal por esse ponto de vista. Os casais realmente se tornam “uma só pessoa” quando se casam? Quais as consequências de se pensar assim? Antes de iniciar a reflexão, um esclarecimento: meu objetivo aqui não é interpretar a Bíblia, mas a representação social que o texto sagrado possui nas pessoas e na sociedade. Percebo na clínica conjugal e familiar duas ênfases distintas e opostas na forma como os casais veem o casamento. Na primeira ênfase, os cônjuges valorizam mais a conjugalidade que a individualidade. Assim, o casamento une as pessoas como se fossem realmente “uma só pessoa”. Nesse modelo, o casal busca compartilhar todos os momentos sociais em con...
Minhas reflexões sobre a psicologia e sua aplicação na clínica e na vida cotidiana