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Mostrando postagens de setembro, 2020

O problema do suicídio

Oficialmente, 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No Brasil, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) organiza nacionalmente a campanha Setembro Amarelo, que tem o objetivo de informar a população sobre a epidemiologia do suicídio para que todos contribuam para a sua prevenção. E os números informados pela associação preocupam: nosso país contabiliza 12 mil mortes anuais em decorrência do suicídio e o mundo, um milhão. Em análise microtemporal, em algum lugar do mundo uma pessoa se mata a cada 40 segundos e a cada três segundos uma tenta. Pior: os números estão aumentando ano a ano. O suicídio é um fenômeno individual e social multicausal, podemos identificar infinitas causas dependendo da particularidade do nosso ponto de vista. Pretendo não me arriscar na aventura inadequada de identificar as causas do suicídio, porém distinguir os elementos que compõem o espectro do comportamento suicida pode contribuir para ampliar o entendimento sobre o tema. Primeiro vamo...

A inaceitável ausência do pai

Refletir sobre a importância da presença paterna na vida dos filhos, especialmente na dos meninos, é um tema complexo, que muitas vezes pode reforçar os preconceitos sociais ou os padrões de comportamento tradicionalmente exercidos pelo homem e pela mulher. Pessoas, inclusive cientistas, dizem frequentemente que o pai é fundamental para impor limites e evitar a costumeira superproteção materna, como se a mulher fosse uma espécie de “monstro” sempre pronta para “engolir” os filhos e, por isso, necessitada da intervenção salvadora paterna. Diz-se que sem o pai a criança cresce sem limites, como se a mulher precisasse da força masculina para estabelecer as regras da casa e da vida. Quero mostrar que essas duas narrativas são inadequadas. Pretendo não reforçar os padrões culturais tradicionais da função paterna, porém sem negligenciar a importância dessa função. Pelo contrário, meu objetivo aqui é mostrar a importância da presença paterna. E busco não reforçar os padrões culturais justamen...

O mal psicológico que o remédio causa

“Não sei, parece que o remédio me deixou boba e eu fui aceitando a situação como estava”. “Quando minha mãe me estressa demais eu tomo um remédio e vou dormir, aí passa”. “Eu tomo essa medicação há tantos anos e até hoje estou assim, parece que tenho um problema muito grave”. Essas três frases me foram ditas por pacientes em minha clínica. O que todas elas têm o comum? Refletem o fenômeno social atual e historicamente recente que denominamos de medicalização da vida. A medicalização da vida é um problema social da contemporaneidade. Inúmeros profissionais da saúde estão trabalhando para mudar a percepção da sociedade de que a medicação é a solução para as situações problemáticas do dia a dia. Instituições como o Conselho Federal de Psicologia, o Conselho Federal de Medicina e o Ministério de Saúde, além de pesquisadores nacionais e internacionais, resolveram intervir nessa situação. O médico Dante Senra, colunista do UOL, resumiu bem o processo de medicalização da vida em um artigo pub...

Não existe almoço grátis

Não existe almoço grátis. No Brasil não é costume usar essa expressão idiomática, criada pelo escritor estadunidense Robert Heinlein, mas no seu país de origem ela é famosa. Os economistas costumam utilizá-la para dizer que nada é de graça, ou seja, se você não paga a conta outra pessoa paga por você. Porém o sentido que utilizo aqui é um pouco diferente, e se encaixa mais no contexto das relações emocionais: você (quase) sempre paga a conta. A história deste artigo começa com uma paciente minha, mulher, que tem uma história semelhante à de muitas outras mulheres no Brasil e no mundo. Ela sempre aceitou que o marido pagasse todas as despesas da casa, dos filhos e muitas das dela, apesar de trabalhar. O marido era o tradicional homem provedor. Se houvesse respeito à fidelidade na relação conjugal, não haveria problema para essa paciente em específico. Mas não havia. O que ela não percebia, contudo, era que a falta de respeito era um dos preços que ela pagava por ter uma vida de confort...